sexta-feira, julho 15, 2011

O desenho está depois do texto que não estava à espera de escrever

Estou a fazer umas limpezas no meu futuro ex-local de trabalho e encontrei um desenho que nunca publiquei. Já está um bocado desactualizado, mas esta é a melhor altura para aproveitar tudo o que restou. Tenho evitado recentemente fazer novos desenhos nesta reta final para não encher o Boião com eles, mas este passa apenas porque já o fiz há algum tempo.


Lembram-se quando eu disse que acabava o blog em Junho? I lied. Mas vou tentar fazer isso ainda este mês ou para o próximo. Se querem que vos diga, a razão pela qual ainda não terminei o blog é que estava a pensar fazer algo em grande para o final. Queria fazer um video com todos os membros do Boião, desenhar uma mega despedida dos desenhos e sei lá mais o quê. Basicamente, coisas que dão muito trabalho. Como não sabia quando iria ter tempo para realizá-las, fui adiando as actualizações no blog para ser tudo de uma vez...e não um post por mês como estou agora exactamente a fazer. Resumindo, a despedida vai ser simples. Tendo em conta que parei completamente nestes últimos três ou quatro meses, agora devo mesmo estar a escrever para o "nada", mas independentemente disso, vou fazer o final e fechar o blog.


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quarta-feira, junho 01, 2011

Votar?

Escrevi este texto depois das eleições presidenciais no inicio do ano. Acho que este é o melhor momento para mostrar o texto. Para todos os espertos, sim, eu esqueci-me que ainda tinha um blog. Contudo, prometo que o final do Boião não passará deste mês!


Eu voto. Todas as eleições, por mais frio que esteja, saio de casa ou do trabalho e voto pelo futuro do meu pais. É um dos direitos que temos como cidadãos e é um dos que mais devemos respeitar e cuidar. Contudo, nunca me senti tão vazio a votar como nestas últimas eleições. Sei que coloquei a cruz no quadrado que me disseram que era melhor ou que me parecia melhor. Eu sei que não sabia em quem votar, mas votei à mesma. Por mais que considere este direito importante, e por mais que não me considere uma pessoa parva ou estúpida, sinto que pessoas como eu não devem votar.
Para todos aqueles que acham que votar é estúpido, desnecessário, uma forma de rebelião ou desprezo, quero que saibam que estão correctos. Votar é tudo isso, principalmente quando ficam sentados em casa a queixarem-se e a fazerem birrinhas sobre o futuro do país. Por mais que isso seja verdade (porque eu também acho que temos maus políticos), só quero que saibam que são estúpidos. Sim, estúpidos. Estou a chamar a mais de 50% dos eleitores portugueses de estúpidos. E se querem resolver isto, combinamos e lutamos. Um a um como nos filmes.
Contudo, eu não sou melhor que vocês. Sim, eu voto, mas será que tenho consciência daquilo que faço? Poucos devem achar a politica portuguesa tão parva e sem sentido como eu. Por mais que tente, não consigo seguir aqueles que comandam o nosso país, muito por achar que não o deviam fazer e que ainda não nasceu quem nos possa sinceramente ajudar (má politica é infelizmente genética no nosso país, basta olhar para a história). Mas devia e TENHO de o fazer. Será que ninguém tem consciência daquilo que andamos a votar?! É o nosso país, caraças! É por causa de más escolhas que andamos sempre a fazer greves desnecessárias que antes de ajudarem só nos estão a prejudicar, parando o país por completo em tempos de crise.
Eu estou farto de dizer a mim mesmo: “toma atenção às próximas eleições, vê o que os candidatos dizem e querem fazer, tenta perceber por ti próprio qual deles simboliza melhor o país em que queres viver”. E todas as vezes, olho para a televisão e faço “pfffff”, colocando a língua de fora. O problema é meu, talvez a minha atenção só seja ganha quando estão robots gigantes a combaterem, mas sei que tenho de mudar. Eu estou a desperdiçar um voto como todos aqueles estúpidos (tentem apanhar-me) que não votam. Eu sou quase, repito, quase tão estúpido quando vocês e isso tem de acabar.
Quando o futuro do nosso país está em risco, nós devemos saber o que queremos e quem nos pode ajudar. Não podemos votar em pessoas só porque falam bem, são apresentáveis ou porque todos os nossos familiares vão votar nele. Temos de ir por passos, tentar perceber a que movimentos pertencem e qual deles apresenta as medidas que nós queremos ver implementadas no nosso país. Mesmo que descubram que o PNR seja o vosso partido de eleição, epá, votem, mas saibam o porquê de o estarem a fazer. Claro que ser do PNR é extremamente mau, mas não há ninguém que vos possa dizer para não serem (excepção de uma gaja boa, essas conseguem).
Eu gosto de complicar as coisas, por isso, recomendo que criem uma forma de percebermos se as pessoas que estão a votar sabem porque o estão a fazer. Do género: “explique, em duas linhas, o porquê de querer que este candidato ganhe”. O que veríamos seriam pessoas confusas, piadolas e inúmeros desenhos de “pénis”. Mas isso já devem ver nos boletins normais. Acho que o direito ao voto é importante e todos nós devemos escolher quem nos governa. Contudo, acredito que devemos saber o porquê da nossa escolha e saber argumentá-la. Não estou a tentar ser totalitário e pôr de parte todos os idosos ou estúpidos, mas sinto que mudaria alguma coisa, nem que fosse para obrigar as pessoas a pensarem.
A minha promessa é simples: eu tenho de saber. Nunca mais votarei sem saber que o estou a fazer. Nas próximas eleições vou analisar tudo e escolher por mim o candidato que mais gosto. Estou farto de ser preguiçoso ou levado a escolher por terceiros. Por mais que saiba que posso nunca o fazer pelo meu desinteresse geral por politica, não vou desperdiçar o meu voto num candidato que pode muito bem dar ainda mais cabo do nosso pais. Todos podem pensar “mas eu sou só um, o meu voto não pode alterar nada”. Tal como o meu voto em branco pode fazer com que o melhor candidato não ganhe, o vosso voto mal pensado pode pôr a encarnação do Mal nos comandos do nosso país. A culpa é de todos, vamos tentar pensar no que fazemos e vamos começar a ter consciência que apenas nós, como povo, podemos mudar a nossa condição. Por mais merda que o governo faça, não se esqueçam que somos nós que os colocamos lá e que não fazemos nada para os tirar. E sabem porquê? Porque para além do futebol e do Cozido à Portuguesa, nós não gostamos de ser portugueses. Mas isso, é outra história…

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quinta-feira, abril 14, 2011

Desculpa, mas eu não vou colocar isso no meu mural

O Facebook tomou conta das nossas vidas. A partir do momento em que fizemos "log in" pela primeira vez, a nossa sina estava traçada. Seguiram-se ondas de "quizzes", jogos, comentários supostamente engraçados e "gosto" em tudo o que aquela rapariga que nós achamos tão gira escrevia. Quantos de nós não vão ao Facebook antes de começarem a trabalhar? Vá, não tenham vergonha.
Lentamente, sem que nos apercebêssemos, os "chainmails" começaram a tomar conta de inúmeros murais, pedindo ajuda para todos e quaisquer problemas onde a única coisa que se pede é apoio. Em vez de mandarmos a mensagem para 5 amigos, como se fazia antigamente, este verdadeiro camaleão virtual pede-nos agora que simplesmente coloquemos a sua mensagem no nosso mural e que se os nossos amigos quiserem, que façam o mesmo. O que está em jogo não é a nossa sorte, mas sim a nossa suposta dignidade. Bem jogado, "chainmail", bem jogado. Contudo, eu sou uma pessoa amargurada, não me apanhas assim tão facilmente.
Eu sei que o Facebook ajudou recentemente uma menina a conseguir uma segunda oportunidade na sua vida. Milhares de pessoas ajudaram e partilharam a sua história e todos doaram dinheiro. A menina recuperou, foi noticia nacional e todos nos sentimos melhor. Isso é uma coisa, isso é o Facebook a dizer que somos bons, que conseguimos unir-nos e ajudar alguém. Mas quando se trata de uma mensagem estúpida sobre o meu apoio à luta contra o cancro e que "de certeza que 3% dos meus amigos também irão colocar isto no seu mural", este tipo de coisas não ajuda ninguém a lutar contra o cancro, só serve para fazer as pessoas sentirem-se mal. E isso é "chainmail", bitches.
Oiçam, eu temo o cancro. A minha avó faleceu no ano passado depois de passar anos e anos a lutar contra a maldita doença. Não sou daqueles insensiveis que apenas fala porque nunca sentiu a dor de perder alguém querido. Eu não só perdi uma das pessoas mais importantes da minha vida para o cancro como a vi lutar durante tanto tempo e nunca pude fazer mais nada do que lhe dar o meu apoio, e rezar para que não falecesse hoje ou amanha.
Esse tipo de mensagens nos murais não me ajuda nem me apoia, irrita-me. Querem fazer-me pensar que, se não colocar aquilo e espalhar, sou um monstro. Pois eu quero que se lixem. Se me querem apoiar e se querem ajudar os vossos familiar, dêem-lhes um abraço, digam-lhes que estão ali para eles. Será que vocês chegam ao pé da vossa familia e dizem "pessoal, não se preocupem, coloquei uma cena no mural do Facebook e a avó vai ficar melhor". O mundo é muito pior que isso e muito provavelmente o vosso familiar não ganhará a luta, mas tenham vergonha se perdem tempo com isso em vez de estarem com eles.
Desculpem, mas eu não vou colocar nada disso no meu mural. Acho amoral e parvo, até porque sei que essas mensagens calorosas de compreensão e amor não são mais que "chainmails" disfarçados para invadirem os nossos murais como virus. São, isso sim, apenas instrumentos sociais para que possamos apelar ao bom senso das pessoas, não porque é necessário, mas sim porque fica bem. Metade das pessoas não sabe o que é perder alguém para a doença e mesmo que ache que está a apoiar, no seu interior sabe que o faz porque os amigos também o fizeram e ela não se quer sentir fora do grupo. O amor, a amizade e a sorte são mais fáceis e ajudam. Se passaram pelo mesmo que eu, têm o meu apoio e quando vos vir, dou-vos um enorme abraço. Mas se acham que devo colocar o que quer que seja no meu mural para demonstrar o meu apoio, então deixem que vos diga que vocês estão a fazer as coisas mal. Parem de fazer os outros sentirem-se mal.
E eu sei que este tipo de coisas ajuda certas pessoas a ultrapassarem a sua dor, não tenho nada contra isso. Acredito que pelo menos "3%" o faça com gosto e com o nobre sentimento de ajudar. Mas e os 97%? Este tipo de coisa é assim tão necessária? Se é, não me mandem à cara, façam-nos discretamente. Se apoiam os doentes, façam-no, não o venham dizer propositadamente numa rede social.

Resumindo, pensem o que quiserem, mas eu não vou colocar nada disso no meu mural, vou, isso sim, colocar uma piada estúpida. Porque esse é quem eu sou, não um "chainmail".

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sábado, abril 09, 2011

Sidney Lumet


Faleceu hoje um dos melhores e maiores realizadores norte-americanos de todos os tempos. Sidney Lumet morreu com apenas 86 anos, ainda no principio da sua vida enquanto que outros continuam para lá dos 100 e a fazer menos do que este homem fez.

Lumet realizou dos melhores filmes que alguma vez vi, verdadeiros clássicos que demonstram perfeitamente o poder de um bom guião e a força da interpretação dos seus actores. Ficarão para sempre comigo as actuações de Al Pacino nos filmes "Dog Day Afternoon" e "Serpico", tal como Henry Fonda em "12 Angry Men". Esses filmes são, para além de alguns dos melhores filmes que vi, excelentes exemplos de guioes cuidados e geniais. "12 Angry Men" passa-se numa sala fechada com 12 personagens diferentes, algo que me assustaria escrever se me fosse pedido. E no entanto, parece tão fácil quando o vemos no ecrã.

Eu estou sinceramente triste com a sua morte. Era um dos poucos realizadores que seguia religiosamente e cujos filmes tentei sempre ver. "Before the Devil Knows You're Dead" foi o seu último filme e é um dos bons. Mesmo que não tenha a mestria dos seus primeiros filmes, o homem sempre soube o que queria contar, algo que muitos nunca saberão na sua carreira. Abordou temas como o prejudicio, a homossexualidade, o remorso e o poder dos media na nossa sociedade, e fê-lo com amor. Este é um daqueles realizadores que, se não conhecem, devem ir a correr para a fnac mais próxima ou, quem sabe, o clube video, e procurem pelos seus filmes. Um dos últimos mestres do novo cinema americano.

Deixas muitas saudades, Lumet. Eu sei que já não eras novo, mas estava à espera do teu novo filme. Mesmo que não tenha visto nem metade da tua filmografia, aqueles que vi conquistaram-me por completo e fazem-me tentar seguir o caminho que escolhi. És o meu Frank Zappa do cinema, não preciso de ver tudo para saber que és o maior, já me conquistaste.

Um dia quero escrever histórias quase tão boas como a de "12 Angry Men" ou "Dog Day Afternoon", mas tenho de crescer e muito. Muitas das pessoas que admirava morreram no espaço de um ano, estão todos a desaparecer. Será que um dia alguém escreverá, num ihouse virtual, um pequeno texto sobre mim? Às vezes penso que os melhores já foram e que agora só temos imitações, mas por outro lado, se assim fosse, só estariamos a sujar nomes tão grandes como o teu.


Um abraço, Sidney Lumet.

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sábado, fevereiro 12, 2011

EU ÀS VEZES PENSO NO QUE ESCREVO

Hoje vou escrever a coisa mais épica que alguma vez escrevi. Sim, vai ser hoje, não posso passar outro dia sem escrever isto. Vai ser tão, mas tão bom. Estou a pensar em colocar robots gigantes contra monstros radioactivos, tudo a combater por Lisboa, destruição por todo o lado. Era tão bom escrever uma coisa destas, cheio de acção e exagero, algo que deixasse as pessoas entusiasmadas. É isso mesmo que eu vou fazer.
Mas caraças, só com monstros? Hum, tenho de arranjar mais qualquer coisa. Não posso colocar só pessoal à porrada sem sentido. Quer dizer, puder até posso, mas não sei se seria o melhor. Talvez faça uma história igualmente exagerada, muito série B, cheio de personagens malucos e caricaturais. Aliás, até podia fazer uma critica qualquer ao país, assim ficava uma sátira.
Talvez aposte na história de uma nação que se tenta recompor depois de anos difíceis devido à má economia mundial e que se vê no meio de uma luta entre monstros, onde se terão de unir e encontrar o verdadeiro significado de serem uma nação. Talvez isso seja um bocado mais sério do que aquilo que queria, mas chama mais a atenção e sempre dá para as pessoas se relacionarem. Posso pegar neste tema e torná-lo um pouco mais leve, com comédia e sequências com mais acção. Sim, podia.
Mas estou a sentir que se passar tudo para a comédia, perco o tom. A união de uma nação contra um mal exterior é muito forte. Tenho inúmeras formas de construir a história, vários personagens e focar-me no espírito da nossa nação. Com os problemas que temos tido, acho que uma história destas iria levantar a moral ou, pelo menos, fazer as pessoas pensar. Pode não ser o que tinha em mente, mas funciona e bem.
E os monstros e robots? De onde vêm? Radioactivos, tudo bem, mas nós temos suficiente para criar algo desse género? Não me importo de não explicar como tudo acontece, adoro quando não o fazem nos filmes de “zombies”, mas tenho dois tons na história. De um lado, monstros gigantes à porrada, do outro, a história de uma nação que aprende a lutar. São duas fases completamente diferentes que podem ser construídas paralelamente, sim, mas uma das partes pode suplantar a outra e dar cabo da mensagem.
E qual é a mensagem? Quando monstros gigantes lutam é melhor que nos juntemos ou morremos todos? É isso que quero como mensagem? Voltando à parte da nação, a mensagem está ai tenho quase a certeza. “A união faz a força” não é do mais original que anda por ai, mas resulta. Tenho de tornar os problemas mais actuais, fazer com que os espectadores se relacionem com o que vêem no filme. Criar personagens que digam algo ao povo português, quero que saiam com vontade de abraçar a pessoa que está ao seu lado e trabalharem em conjunto para melhorar a nossa situação actual.
Tenho de tirar os monstros, começo a achar que não fazem sentido. Uma guerra seria melhor, mais real e cru. Qualquer um de nós tem medo da guerra porque sabemos que pode acontecer a qualquer momento. Sabermos que temos de lutar e que pudemos morrer assusta qualquer um. Os monstros iriam estragar essa experiência, mas a guerra vai trazer ao de cima a união e a vontade de defendermos o que é nosso.
Portugal seria invadido por uma nova super potência e seriamos os últimos numa série de invasões, tal como no século XVIII e as invasões Napoleónicas. Começamos com um país minimamente unido, todos preocupados com os seus problemas, mas que se vêem numa situação de vida ou de morte quando a invasão finalmente chega até eles. Têm de descobrir uma forma de se unirem e trabalharem em conjunto, colocar de lado os seus problemas e lutarem finalmente como uma nação. A nossa independência está em risco, temos de lutar por ela!
Ó sim, isto vai ser bom. Vai ser o primeiro filme a unir os portugueses tanto quanto um jogo de futebol conseguiria. Isto vai correr extremamente bem!
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Pode ser um mau exemplo, mas isto acontece-me. Claro que não ando a escrever histórias sobre invasões, mas toda esta pequena evolução da história acaba por me afectar. Já não sou aquele gajo que tinha ideias malucas só por ter, começo a pensar nos “porquês” das histórias e qual a mensagem que quero passar. Mesmo que escreva um filme sobre monstros, há sempre algo por detrás, não são apenas monstros. É inevitável, é uma evolução e eu acho-lhe imensa piada.
Caraças, cresci.

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segunda-feira, janeiro 10, 2011

STORY

Estou finalmente a ler o "Story", do Robert Mckee, uma espécie de Biblia para qualquer argumentista/guionista. Sei que estou a ler isto uns quantos anos atrasados, mas sabendo como sou, é uma melhoria (podia não ler, certo?). Há medida que leio o que este grande senhor escreveu, apercebo-me que adoro escrever. Posso ser o guionista mais preguiçoso de sempre, mas sei que gosto de criar mundos, contar uma excelente história e entreter as pessoas. Ler o "Story" é apreciar o que se faz, sabermos o quanto é complicado construir uma boa história (Mckee compara a escrita de um guião a uma composição musical e eu concordo) e o quanto sabe bem quando o conseguimos. É interessante estar a ler um livro teórico, feito para explicar e expôr os elementos que devemos ter em mente quando queremos construir um guião, e sentir que não páro de sorrir. Esta é a minha vida, por mais trabalhos estúpidos que tenha e por mais anos que demore a conseguir ser alguém na televisão ou no cinema, sei que este é o meu mundo. Sabermos que fazemos ou que estamos onde deviamos estar sabe tão, mas tão bem.
Por outro lado, e como a versão que me ofereceram (props para o Mc Nuno, dos SchizdaC) é a inglesa, a primeira coisa em que pensei quando li "Homer" não foi em Homero, mas sim no Simpson. Acho que isto diz muito sobre mim...

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quinta-feira, dezembro 23, 2010

"A lista de Natal diz que tu estás fora, estás velho"

Eu adoro o Natal. Por mais que cresça e sinta o espirito natalicio a desvanescer, eu adoro a época. Não porque Cristo nasceu, não porque é a ÚNICA altura do ano onde ajudamos aqueles que mais precisam e não só porque recebemos prendas. É simplesmente uma época nostálgica em que não consigo parar de me sentir alegre. E por menos prendas que receba porque estou mais velho ou que já não existam surpresas, continuo a sentir aquele pequeno nervosinho na barriga à medida que nos aproximamos do dia 24, e acho que isso nunca vai desaparecer.
A bem ou a mal, a minha época passou. Já não sou o pequeno JohnSamus que abria os presentes à socapa para descobrir se ia receber a Sega Saturn no Natal. E nem JohnSamus do básico que só pedia dinheiro para comprar aquilo que queria porque ninguém o percebia.Agora sou o JohnSamus "mais velho", aquele a quem dão roupa e lembranças por já receber o meu próprio ordenado. Mesmo que os meus pais me continuem a mimar com as coisas que quero, tudo o que sejam tios, tias ou primos já não estão para isso. Eu passei para o mesmo patamar que eles e os mais novos tomaram conta do palco. Aliás, agora sou eu quem dá as prendas, principalmente aos meus primos mais pequenos e familiares mais próximos. E isto aconteceu de um ano para o outro, comecei a ter obrigações que não tinha quando era pequeno. Bastava a minha mãe dizer "esta é minha e dos miudos" e tudo passava. Agora? Chego à meia-noite e começo a ouvir coisas como "esta é do John para a mãe".
Eu acho que o Natal tem 3 fases na nossa vida. Se gostam tanto do Natal como eu, penso que compreenderão. A primeira fase é simples: nós recebemos e não damos nada. Somos os mais novos, as pessoas tomam atenção ao que pedimos e tentam dar exactamente isso. A excitação de sabermos o que vamos receber foi das coisas mais dolorosas pelas quais tive de passar quando era novo (nunca fui uma pessoa paciente). E era tudo tão simples. A caixa grande era sempre minha ou do meu irmão e o mundo fazia sentido.
A segunda fase é mais complexa. Esta é a fase do "se queres receber, tens de dar" ou ainda "recebeste tanto, agora é a tua vez". É nesta fase que muitos deixam de ligar ao Natal. Sentem que já não são miudos, que tudo está diferente e que o Pai Natal há muito que não existe, logo, não faz sentido. É aqui que entram os elementos de surpresa: os amigos. Quando temos um grupo sólido de amigos (que felizmente eu tenho), acaba por acontecer algo estranho há medida que o tempo passa. "Baza dar uma prenda ao Galochas, dividimos", é assim que costuma acontecer. À medida que arranjamos trabalhos e alguma estabilidade, começamos a dar presentes sozinhos. Um para cada grande amigo, sendo que eles também vos dão. Se com a familia vocês já sabem o que recebem porque pedem, os amigos são o elemento da surpresa que desapareceu quando eram novos. Eles são lixados, nunca vos dirão o que vão dar para não matar a reacção preciosa que terão quando abrirem o vosso presente. São um elemento que vos faz querer que a meia-noite de 24 chegue o mais depressa possivel para saberem se eles acertaram. É divertido e foi numa destas trocas de prendas que vi das melhores reacções de sempre.
Não querendo parecer demasiado "bonzinho", uma das coisas que aprendi deste meu terceiro Natal como "dador" é que sabe bem. Acaba por ser tão divertido dar como receber, por mais estranho que isso pareça. Andar à procura das prendas, ver o quanto são importantes para as pessoas e sabermos que acertámos em cheio, é tudo muito reconfortante. É estranho como passamos dos miudos que recebem o que querem para os jovens adultos que dão aquilo que os outros querem.
A terceira e possivelmente última fase é a dos filhos. Agora somos ainda mais velhos, só os nossos pais e amigos é que nos dão prendas, todos os outros passaram à frente. O mais provável é que nesta fase não liguem mesmo ao Natal e tenho alguma curiosidade para saber como irei reagir. Contudo, formam a vossa própria familia. O nosso gosto pelo Natal passa a ser unicamente de "dar", fazer o mesmo que os nossos pais nos faziam a nós (ou até melhor, conforme a familia, como é óbvio...ou o dinheiro). Começamos a ver as cartas que os nossos filhos fazem para o Pai Natal, relembramo-nos dos nossos tempos e damos. Tão simples quanto isso. Claro que nunca deixamos de receber presentes, até porque eu espero que a minha mulher ou amigos me dêem jogos para a Playstation 5, mas é tudo um bónus. Se recebermos, tudo bem, se não nos calhar nada, menos mal. É a nossa fase de darmos e ver os enormes sorrisos que os nossos filhos fazem quando abrem exactamente aquela prenda que queriam. Não digo que estou desejoso de chegar a esta fase, mas será divertido me ver nesta situação.
Mas eu gosto do Natal. Mesmo que não seja a mesma coisa, continuo a gostar da época e espero que isso nunca mude. Podem dizer que já tenho idade para estar quieto e não ligar, mas eu quero que se lixem. Se fossem tendências suicidas, ainda vos percebia, mas nunca fez mal a ninguém ter um pouco de gosto pela época natalicia. Por mais que achem que é tudo uma falsidade e que a época não passa de uma festividade capitalista, eu sei que consigo ver para lá disso tudo. Não consigo explicar, mas continuo a achar que há qualquer mais. Talvez um dia escreva um livro sobre isso para ninguém comprar.
Esta é a minha longa forma de vos desejar um Feliz Natal. Passem o dia com os vossos familiares (por mais chatos que sejam) ou com os amigos mais próximos, divirtam-se e tentem tirar o maior partido do dia. Vamos também começar a pensar que esta não devia ser a única época para dar, mas sim que isso devia ser uma constante no nosso dia a dia.
O Boião regressa no dia 26 para começar com os meus Top 10 deste ano (que durará até ao dia 30 ou 31).

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terça-feira, outubro 26, 2010

Parabéns, Boião

Seis "fucking" anos. Acho que não devia precisar dizer mais nada. É muito ano, caraças, principalmente para um blog tão pequeno como o Boião. Sinto que ando a bater num cavalo morto com outro cavalo morto que já tinha batido noutro cavalo morto antes de ter morrido. Mas no fundo, e inevitávelmente, este é o último aniversário que festejo do Boião, até porque os 1000 posts estão cada vez mais próximos.
É engraçado saber que começámos tudo numa tarde em que resolvemos imitar as entrevistas cómicas que o Herman José fazia nos seus vários programas, onde eu, interpretando Batista Bastos, era entrevistado para o tal de "Boião de Cultura". A parte triste é que nos tinhamos esquecido que isso era o nome de um dos programas do humorista português, passando sem querer para o blog. Quando nos apercebemos, não quisemos saber, até porque se o Herman processasse um blog de 5ª categoria, quereria dizer que a sua carreira estava mais que acabada.
Este é o primeiro aniversário onde sou oficialmente o único membro activo dos quatro iniciais. Foi por volta de Março que Monsieur_Chinese saiu do blog (o Doutor_Galochas recusa-se a sair do blog, continua a fazer publicidade, mas não escreve) e eu decidi seguir com isto sozinho, mas com uma data limite. Depois de tudo o que aconteceu e da falta de gosto por este pequeno cantinho cibernético, devo admitir que vou encerrá-lo com gosto e nunca mais pensar nele. Deu-me demasiadas dores de cabeça para uma coisa tão pequena e tão pouco divulgada. Se tenho 5 visitas por dia, é muito. Estou basicamente a escrever para mim e para amigos mais próximos (ou inimigos, sei lá). É algo do passado que tem de morrer para eu puder seguir em frente e dizer: "fuck you, bitches".
Não me levem a mal, adoro todas as pessoas que visitaram e comentaram no blog, até aqueles que vieram só para me provocar ou ameaçar-me de porrada. Mesmo sendo poucos, são bons e não podia estar mais grato. Não sei se as coisas que faço são suficientemente boas, mas quero pensar ir mais além e para isso, o Boião tem de se despedir. Foram seis anos interessantes, nem bons nem maus, onde pude experimentar a minha escrita, os meus desenhos e as minhas criticas, e ver a minha evolução. Estou contente de ter aprendido tanto e continuar a evoluir. Mesmo não colocando grande parte da minha escrita no blog (porque é longa e o pessoal não lê textos longos), gosto de olhar para trás e ver que cheguei a escrever muito pior e ter ideias muito más. Agora estou melhor, talvez mais parvo ou mais maluco, mas melhor.
Podia preparar videos ou dizer que os preparei para festejar o aniversário, mas não. Não tenho vontade ou paciência, decidi simplesmente dizer o que sinto e fazer um texto suficientemente longo para vocês não lerem. Este é o último aniversário do Boião e estou honestamente satisfeito com isso. Esta é a primeira vez que digo "para o ano não há mais".

Obrigado a todos!

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quarta-feira, outubro 13, 2010

Wait wha...?

De vez enquando, gosto de rever as coisas que fiz. Analisar as piadas parvas e chegar à conclusão que ainda são parvas. São nesses momentos em que o tempo me bate mesmo na cara. Eu já faço "desenhos" há mais de 4 anos. É muito tempo, caraças. Mesmo continuando com um estilo de desenho que se baseia no mal-feito, acho que melhorei muito desde que comecei. Aliás, eu estou muito melhor. O problema aqui é sabermos se o "muito melhor" é assim uma evolução tão importante. Para mim, é, e acho que ainda tenho muito para fazer.
Por isso, com 4 anos e mais de 200 desenhos feitos, acho que qualquer dia tenho mesmo de atirar com eles na cara de alguém e ver se isto tem alguma sorte. Vá, quem é que se oferece?

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segunda-feira, outubro 04, 2010

GEORGE A. ROMERO

E foi a ouvir este senhor que passei a minha tarde de domingo. Impulsionador dos filmes de zombies e criador de três dos melhores filmes de terror alguma vez feitos. É um homem extremamente interessante e incrivelmente simpático. Foi um prazer ouvir um dos mestres e nunca pensei que teria esse prazer. Contudo, acho que nós, como público, temos de começar a pensar melhor nas nossas perguntas para tornar a próxima sessão mais criativa. Mas no fundo, eu fui lá para ver o Romero e sai satisfeito. Agora façam um favor a vocês mesmos e vão ver a primeira trilogia "...of the Dead". Não precisam de agradecer.

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sábado, agosto 07, 2010

The Disintegration Loops II

Ontem, como em qualquer outro dia, deitei-me tarde. Dei comigo deitado na cama sem sono, pensando em coisas que não devia. Para as horas que eram e para a quantidade que tenho dormido, eu devia estar exausto. Mas não. A mente humana divaga demasiado e a minha pensa, cria, revê e sofre momentos antes de adormecer. Quando já não sabia o que fazer, peguei no meu mp3 e arrisquei-me mais uma vez pela sonoridade de William Basinski. Mesmo que não me tenha ajudado a adormecer, a verdade é que desta vez ouvi uma das suas músicas na totalidade. Foram 42 minutos.
Mantenho tudo aquilo que disse quando falei deste senhor pela primeira vez. As músicas são lindas, mas são demasiado longas. Ouvi-las não devia ser uma tarefa tão grande ou uma aposta ainda maior num estado de espirito perfeito para tal. Estas músicas deviam ser mais acessiveis. Contudo, há que ter em mente toda a longevidade da música. Ontem, enquanto ouvia e percebia melhor este segundo volume, apercebi-me que tudo é uma experiência. O que aqui temos é a exploração da morte, do desaparecimento e, tal como o nome, da desintegração de algo. Todos este parâmetros aparecem em todas as criticas que li, mas penso que para percebê-las temos mesmo de ouvir pelo menos umas das músicas até ao fim.
A desintegração é um tópico interessante, principalmente na música. Conta a história, caso não tenham lido o excerto que coloquei do Pitchfork, que Basinski tentou passar músicas que tinha gravado em fita magnética há muitos anos para formato digital. Quando o tentou fazer, apercebeu-se que a fita tinha-se começado a desintegrar e aquilo que restavam das suas músicas não eram mais do que ecos e pequenas semelhanças perdidas. O "loop", que igualmente constitui o nome, serve para nos apercebemos de como as músicas se vão desintegrando. Ouvindo apenas 10 minutos de uma das suas músicas, como tinha dito anteriormente para fazerem, não vos dá acesso a esta experiência. Ao longo dos 42 minutos, senti a música melódica, que ouvirão de seguida, transformar-se em ruidos cada vez mais presentes, onde cada elemento começa a desaparecer e a ser impossivel de reconhecer individualmente. São ecos, pequenos registos de algo que já foi ou de tempos passados. Tal como todos nós um dia iremos sofrer.
Sem querer parecer demasiado "pseudo", é mais do que óbvio que adorei ouvir esta música e perceber o seu sentido. Contudo, continuo a não conseguir aconselhar a ninguém. É algo que vão ter de descobrir e pensar se devem ou não investir naquilo que eu considero ser uma experiência. Podem também achar que estou a exagerar, visto que escrevi dois textos contraditórios sobre o mesmo autor. Penso que irão fazer a vossa decisão nos primeiros 10 minutos.
Continuo a achar que as músicas são muito longas e que este efeito poderia ser feito em muito menos tempo e continuar a ter o mesmo sentido. Pode-se também contra-argumentar que o tempo é necessário para criar este efeito de desintegração lenta, mas presente. E que fique claro que eu percebo e respeito a escolha. O meu problema é que algumas pessoas possa evitar estas músicas simplesmente porque são muito longas e repetitivas, não dando uma segunda oportunidade para tentar perceber o que se passa. No entanto, é algo do qual não me arrependo de ter feito e de ter perdido alguns minutos de sono. Irei dar uma vista de olhos pelos próximos dois números dos "The Disintegration Loops".
Mais uma vez digo que este tipo de músicas consegue ter uma profundidade maior que muitas músicas cantadas. Isso fascina-me.

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sexta-feira, julho 30, 2010

Uma nota

Apercebi-me agora que já fiz mais de 200 desenhos. Alguns já aqui estão no Boião, outros andam espalhados por cadernos e folhas de papeis, outros para especiais e só uns 30 desses 200 devem ser realmente bons.
No entanto, estou orgulhoso. Já devem ser desenhos suficientes para ter um livro...era bom, não era?
Parabéns a mim!

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terça-feira, julho 27, 2010

O mitico Doutor Galochas costuma dizer que "o calor é que é bom". Costuma dizer que "não há nada melhor que o Verão". Eu não estou propriamente contra ele, mas hoje...Espetei-lhe um soco na tromba.

Vai-te foder, calor. Tu e a tua familia toda.

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quarta-feira, julho 21, 2010

Sabes que és parvo quando...


...queres que a educação seja ainda mais paga do que já é.


Estúpido do caraças.

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quinta-feira, dezembro 31, 2009

Final do Ano

Não sei como, mas sobrevivi ao mês de Dezembro. Depois de 31 posts diários, aqui estou eu, ainda meio consciente e pronto para acabar o mês em grande. Para ser sincero, não me apanham tão depressa a dizer que vou estar outro mês inteiro a escrever todos os dias. Foi uma experiência muito mais cansativa que o "Jesus, o Cristo" do ano passado, até porque se baseou muito mais em textos do que propriamente em desenhos. Mesmo assim, estou satisfeito de ter conseguido fazê-lo, até porque é muito raro conseguirmos levar alguma coisa até ao fim no Boião de Cultura.
É muito provável que agora tire umas férias do Boião. Preciso de voltar a desenhar coisas novas, escrever outras coisas e o blog poderá ficar para um terceiro ou quarto plano. 2010 vai ser um ano de mudanças, sinto-o. Será o ano em que terei de mostrar o valho. Vai ser o ano em que finalmente vou pegar nas minhas "armas" e arriscar com tudo o que tenho no cinema português. Depois de um ano a trabalhar as ideias, elas estão prontas para o mercado e, com alguma sorte, pode ser que corra tudo bem. Tendo isto em mente, um abraço para o meu bom amigo Guilherme, com quem tenho uma série de comédia pronta para dar cabo de tudo e de todos.
Aliás, um abraço a todos os que acompanharam o blog ao longo do ano. Obrigado por todos os comentários e conversas de café sobre o blog. Pode não ser o melhor, mas ao menos ainda cá anda como um parasita agarrado à vossa internet. Um abraço especial também para o senhor Rocha, com quem eu também tenho mais uns quantos projectos prontos para irem em frente. E claro, para toda a equipa inicial do Boião, como o Monsieur_Chinese e o Doutor Galochas, pessoas que já não escrevem tanto, mas cuja amizade ainda continua a massacrar-me a cabeça com muita força. E, claro, para os Schizling the Cruise, cujo EP sai em Janeiro.
Acho que não posso dizer muito mais do que já disse. Não tenho grandes desejos para 2010. Peço apenas que seja um bom ano e que pelo menos um dos meus projectos vá em frente. De resto, que as coisas acalmem pelo mundo inteiro para que possamos viver uma vida mais pacata.

E pronto, um abraço do vosso amigo Paperbag_Writer!

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